Caso Gisele escancara o machismo estrutural e a certeza da impunidade
O feminicídio da soldado da PM Gisele Alves, morta em fevereiro de 2026 pelo marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, não é apenas mais um crime bárbaro. É o retrato de um sistema que naturaliza o controle masculino, protege agressores em posições de poder e insiste em silenciar mulheres. Gisele foi vítima de um homem inteligente, articulado, com carreira consolidada e salário alto. Um homem que, por trás da farda e do prestígio institucional, acreditava estar acima da lei. Essa crença não nasce do nada: ela é alimentada por um machismo estrutural que atravessa instituições, famílias e relações, criando camadas de abuso que vão da manipulação emocional até a violência física. O coronel não se limitava a ser ciumento. Ele exigia obediência, confundia amor com submissão, e usava sua posição para reforçar a ideia de que poderia controlar a vida de Gisele sem consequências. Quando finalmente a matou, tentou encobrir o crime como suicídio — mais uma demonstração de como o s...