Movimento red pill, redes sociais e casos reais: o momento é de alerta!

 

Agressão física, cárcere privado, ameaças, terrorismo psicológico, assédio moral e sexual, violência patrimonial, estupro marital, tentativa de estupro, feminicídio consumado ou tentado e, ainda, no caso das meninas de até 14 anos, estupro de vulnerável. Ah, também já vimos casos de estupro coletivo, golpes e situações seguidas de exposição de imagens íntimas de mulheres, sempre por vingança. Como esquecer daquela garotinha do Sul que pôs fim à sua vida, depois de ter fotos dos seus seios divulgadas em sua escola?

Todos esses crimes sejam eles concretizados ou frustrados por algum elemento alheio à vontade do agressor, revelam um cenário assustador em que todas as mulheres, em alguma medida estão expostas. Não à toa, o crime de feminicídio foi tipificado na última década, ao ficar constatado que mulheres sofrem variadas violências apenas por serem mulheres. Historicamente, a estrutura social, por inúmeras razões, favorecia e, ainda favorece, crimes que são invisibilizados meramente pelo gênero.

Mas engana-se quem acha que, na “era da informação” e com delegacias e leis em defesa das mulheres, os casos diminuiriam. Ao contrário, nas últimas semanas, meses e anos, casos chocantes de violência se disseminam pelo Brasil e, não na versão pão com ovo, cada vez mais cruéis e friamente calculados.

A agressão que a ex-namorada de um dos principais líderes do movimento “red pill” na internet Thiago Schutz, conhecido como “Calvo do Campari” denunciou, evidencia de forma contundente os riscos da aversão e do desejo mórbido de dominação que esses agressores possuem. Além disso, também fica claro, como a internet é instrumento de propagação de discursos de ódio que essas pessoas usam para formar grupos simpatizantes.

A misoginia vem se alojando em diferentes perfis e vendida com o discurso disfarçado de homem de valor. Outro aspecto fundamental, é que as comunidades digitais que se apresentam como espaços de empoderamento masculino e autoconhecimento para um relacionamento assertivo, acabam por fomentar e normalizar práticas de desprezo às mulheres.

O termo “red pill”, está sendo amplamente utilizado e surge, com base no filme Matrix – para sinalizar a masculinidade hostil perante pautas de igualdade de gênero.

No Brasil, essas ideias circulam em fóruns, redes sociais e aplicativos de mensagens, atraindo jovens e adultos para narrativas que reforçam o machismo e a submissão feminina. O discurso, que começa como uma suposta “crítica ao feminismo”, evolui para ataques diretos, incitação ao ódio e até manifestação explícita de violência.

Além do mais, há registros de crimes planejados inspirados em comunidades extremistas, episódios de violência doméstica e até ameaças de ataques coletivos. O padrão é claro: discursos de ódio on-line não ficam restritos ao ambiente virtual, eles escorrem para a vida real, com consequências devastadoras em mulheres e meninas.

Estamos vendo claramente os efeitos que isso gera em âmbito social e cultural, em um terreno fértil para abusos e crimes, promovidos pela “machosfera”. Ao mesmo tempo, jovens capturados por essas narrativas passam a enxergar a violência como legítima, reforçando ciclos de intolerância e exclusão. O Brasil, que já enfrenta altos índices de feminicídio e violência de gênero, vê nesse fenômeno digital um vulcão prestes a acordar.

A propagação de ideologias misóginas e de ódio que se fortalecem na internet e já estão relacionadas a episódios concretos de violência no país, deixa gritante o quão problemático e chocante é o retrocesso dessa turma que parece não ver a essência criminosa que isso representa.

Tem ficado, cada vez mais evidente, a necessidade de fiscalização e responsabilização legal, mas também políticas de educação digital e conscientização social, para que discursos de ódio sejam extintos e criminalizados.

Resta salientar que segurança, dignidade e direito de escolha é um direito de todos, e que, o medo, o silêncio e a dor, não podem impedir as vítimas de romper o ciclo de violência. Mesmo que o sistema esfregue na nossa cara que estamos em um labirinto de sangue, lembre-se que você não está sozinha!



Por Dani Manzani|Rio Preto em Pauta
Imagem gerada com IA

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