Troféu Aristides dos Santos: um mergulho na luta dos negros e um retrato de resistência
O feriado da Consciência Negra tem o propósito de reflexão sobre a história e a luta contra o racismo, para promover a valorização da cultura afro-brasileira. Desse modo, reconhecer líderes e iniciativas que geram igualdade, cidadania e respeito para com as personalidades negras, surge o Troféu Aristides.
Aristides dos Santos, nascido em 1914, tornou-se símbolo da luta pela igualdade racial em Rio Preto. Engraxate, servidor público e militante incansável, ajudou a fundar entidades culturais e escreveu obras que marcaram sua trajetória e as dificuldades que enfrentara. Em sua homenagem, foi criado o Troféu Aristides dos Santos, entregue anualmente a pessoas e instituições que se destacam no combate ao racismo e na defesa da democracia.
Neste ano, Milton Emidio de 55 anos, foi um dos homenageados da noite. Promotor de vendas, instrutor e membro da escola Abadá Capoeira, Milton diz que, o feriado da Consciência Negra é de grande importância para o cidadão negro, para manter sua cultura, tradição, história, costumes e o intelecto de autopreservação. “Foi uma surpresa, nunca imaginei isso. Estou com um sentimento de ter contribuído e partilhar dos ideais do Sr. Aristides. Apesar de não tê-lo conhecido em vida, o vi algumas vezes e tenho uma amiga que sempre falou muito dele, sem dúvidas um exemplo de vida”, comenta.
Para Milton, a capoeira une pessoas e classes sociais distintas, sendo um elo que desmantela segregação, promovendo igualdade. “Eu dou aulas de capoeira desde 1990, sempre impactando na vida de jovens, crianças e adultos. E penso que vários defensores da liberdade e igualdade, sofreram de formas terríveis. Devemos dar continuidade e valorizar cada conquista, tendo como filosofia o acolhimento e direcionamento para a vida”, avalia.
Quem também foi homenageado neste ano foi o Mestre Eddy Angoleiro fundador da Escola ARCCA de capoeira.
Segundo ele, receber o prêmio troféu Aristides foi de suma importância por tudo que ele representa, bem como por conferir reconhecimento da comunidade afro à escola ARCCA pelos seus feitos, reforçando ainda mais a vontade de continuar trilhando no caminho. “Este caminho nos proporciona muito aprendizado. A capoeira vem de matrizes africanas, sempre elevando a importância dessa resistência cultural que inclui, acolhe e nos mostra que somos capazes e podemos ocupar todos os espaços. O impacto é muito positivo, para que tenhamos visibilidade como formadores de opinião, por meio do empoderamento cultural e, assim, seguimos com resiliência e resistência”, afirmou Eddy.
Um pouco mais sobre Aristides
Aristides nasceu em Campinas, São Paulo, em 10 de fevereiro de 1914. Estudou até o 2º ano do primário na Escola Estadual Cardeal Leme, mas aos 10 anos precisou abandonar os estudos para ajudar a mãe, trabalhando como servente de pedreiro. Mais tarde, foi como engraxate que se estabeleceu profissionalmente e conseguiu educar seus quatro filhos. Durante esse período, também exerceu funções públicas, atuando como oficial de justiça no Fórum de Rio Preto e, entre 1959 e 1963, como Comissário de Menor. Reconhecido pela comunidade rio-pretense como símbolo da luta pela igualdade racial, Aristides participou ativamente da vida social e cultural da cidade, ajudando a fundar entidades como Marcilio Dias, Cruz e Souza, Ponte Preta e a Associação Cultural e Recreativa Rio-Pretense. Em 1988, contribuiu para a criação do Conselho Afro Brasileiro, do qual foi nomeado presidente de honra em 2006. Além de sua militância, deixou obras literárias importantes: Pretos e brancos: somos flores do mesmo jardim, lançado em 1996, e Aristides, retalhos de uma raça, publicado em 2013, quando já tinha 99 anos. Sua trajetória representa quase um século de dedicação à luta contra o racismo e em defesa da democracia, deixando um legado de resistência e esperança para as futuras gerações.






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